Qua - 07 Abr
Escrito por Maria Neves
Presidente do Sindicato de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Estado de São Paulo (Sinfito), Edson Stefani destacou ontem, na Câmara, que atualmente a base salarial de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais varia de R$ 1.560, em São Paulo, a R$ 650, no Rio de Janeiro. “É um absurdo, o investimento que fazemos é muito alto em relação ao que ganhamos. Esse piso é vale-refeição”, sustentou.
Edson Stefani participou de audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família para discutir o Projeto de Lei 5979/09. De autoria do deputado Mauro Nazif (PSB-RO), a proposta define o piso salarial de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional em R$ 4.650.
Segundo Stefani, 90% dos fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais são formados em universidades privadas. O valor pago apenas em mensalidades da graduação, em seus cálculos, é da ordem de R$ 72 mil.
Já o deputado Mauro Nazif calcula que, até concluir a especialização, esses profissionais gastam em torno de R$ 129.600. Segundo ele, seriam necessários cerca de oito anos para recuperar esses gastos com o piso atual. “Que empresa investe para ter retorno nesse tempo?”, questionou.
Com a base salarial proposta, conforme estimou o deputado, o tempo de recuperação do investimento cai para algo em torno de 2,5 anos. “O piso proporciona ao profissional poder se atualizar mais, se dedicar mais à família, e dá incentivo para aqueles que estão se formando”, defendeu.
Para o presidente da Associação de Fisioterapeutas do Brasil, Reginaldo Antolin Bonatti, além de dar dignidade à categoria, a proposta “vai conferir a autoestima que está faltando a esses profissionais”. De acordo com Bonatti, a fisioterapia brasileira é considerada hoje uma das melhores do mundo. “O Brasil teve o maior crescimento no número de publicações científicas no mundo, e são publicações de impacto, que têm qualidade e servem de referência para trabalhos internacionais”, sustentou.
O fisioterapeuta também ressaltou que o Brasil conta com número elevado de profissionais em relação à média mundial. Hoje, explicou, existem no mundo cerca de 350 mil fisioterapeutas, e cerca de 140 mil deles atuam no Brasil. “Isso significa que a categoria tem força política e científica muito maior que em outros países”, destacou.
O representante do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito), Eduardo Olívio Ravagni Nicolini, acrescentou que os terapeutas ocupacionais somam 15 mil no País. Para ele, o projeto de Nazif vai servir de base para negociar o valor do trabalho desses profissionais da saúde não somente junto aos empregadores, mas também de planos de saúde, por exemplo.
Na opinião do relator do projeto e autor do pedido de realização da audiência pública, deputado Dr. Paulo César (PR-RJ), o piso salarial representa “uma luta justa’. Ele lembrou que o País “tem crescido muito economicamente”, o que criaria condições para atender à reivindicação. O relator adiantou ainda que está estudando a situação financeira dos diferentes municípios, mas não pretende alterar o valor da base salarial proposta. “Só se for para aumentar”, afirmou.